Que tal colocar como meta a ressignificação de tudo que lhe causou dor?
Sabe quando você era criança e ficava cutucando o machucado e ele nunca sarava? Pois é, depois que crescemos, muitas vezes, fazemos o mesmo. Ao invés de tratar nossas feridas logo quando acontece, passar logo aquele remédio que arde e sofrer um pouquinho mas caminhar para a cicatrização, simplesmente deixamos a ferida ali, infeccionada. E a cada tentativa de auto cicatrização enfiamos o dedo novamente na casquinha, não permitindo a cura daquela ferida, até por que a mágoa, o ressentimento, a raiva quando não trabalhadas, persistem.
Isso tudo por que somos ensinados desde pequenos que não podemos sentir nossas emoções, sofrer, fraquejar ou vulnerabilizar diante de um problema que nos causa dor. Ou seja, que devemos sarar na raça, sem frescuras. Somos ensinados a ser fortes e passar pela situação como um trator, sem sentir ou dar importância, por que o importante é olhar para frente. Aí é quando aquela velha frase aparece… Não liga para isso, a vida ou o tempo cura!
Será?
O que adianta seguir em frente sem tratar a ferida se, em vários momentos ao longo da vida, voltamos nela? Basta uma situação parecida, um comentário, uma lembrança, uma foto ou qualquer gatilho que acione aquela memória que lá vamos nós meter o dedo na ferida de novo. E nisso ela vai ficando ali… bem familiar eu diria. Torna-se parte de nós, até nos acostumamos com ela. Parece loucura né? Quem quer viver com dor?
Veja bem, quem se afeiçoa à ferida nunca se cura. Quem se prende ao que traz sofrimento acaba sofrendo para sempre. Adiamos muitas vezes o cuidado desse machucado por que sabemos que vai doer mexer nisso. Sabemos que vai perturbar de alguma forma, então mais uma vez procrastinamos o ‘olhar para isso’, como se ‘isso’ um dia fosse sumir. Quer uma notícia triste? Não, não vai desaparecer da sua vida. A vida é feita de ciclos nos quais passamos sim por dores, no entanto, devemos passar… e não ficar nelas.
Agora vem a notícia boa.
É possível lidarmos com as feridas se buscarmos compreensão das situações, autoconhecimento, perdoar e se perdoar, falar sobre isso. Seja com aquele amigo que você confia, com sua família, com sua psicóloga, não importa. Não precisamos lidar com isso sozinhos.
Costumo dizer que o médico cirurgião utiliza o bisturi para abrir e tratar o mal do paciente na sala de operação. No consultório do psicólogo, o bisturi é a fala! A cura dessas feridas emocionais vem pela fala. Dói mexer, não vou mentir. Mas o alívio sentido depois é maravilhoso!!! Então não se acostume com a dor!
Trate-a!
Débora Bueno – CRP 112716 – é psicóloga com formação em Terapia Cognitiva Comportamental. Atua na área clínica com atendimento presencial e online (infantil e adulto).
@deborabuenopsicologia
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