O medo e a angústia

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Ah, se não fosse o medo. O quão importante essa emoção é para nós?

Todos os animais e seres humanos sentem medo em alguns momentos. É como se vivêssemos em estado de alerta para que possamos sobreviver. E se pararmos para pensar, estamos rodeados de perigos o tempo todo. Digamos que é uma emoção negativa, porém necessária a nossa sobrevivência.

Há pessoas que tem medo de insetos, altura, escuro ou lugares apertados. Outros tem medo de ficarem presos e incapacitados. Alguns tem medo de doenças ou da morte. E tem pessoas que tem medos irracionais, medo que algo de ruim aconteça mas não sabe o quê e nem tem indícios que possa acontecer mesmo. Medo do fracasso ou de fazer muito sucesso, medo de não ser aceito, medo de não evoluir na vida. Tem gente que tem medo até das próprias emoções e sentimentos.

O medo, como a raiva, faz parte do nosso sistema de alerta. Serve para nos acionar e direcionar. Quando sentimos medo, na maioria da vezes, é sinal de que um perigo foi detectado. Nesse momento, é quando sentimos uma sensação muito desagradável e essa sensação aparece para que realmente nos atentemos a esse alerta. É quando a adrenalina aumenta, a respiração fica forte e rápida e o coração dispara.

Medo e ansiedade podem até ser confundidas. A emoção de medo é sentida como uma sensação de pavor, que te impulsiona a se proteger de alguma forma. Lutar, encarar o perigo, enfrentar ou fugir, correr desse perigo. Tem animais que quando ameaçados tem respostas diferentes a essas ameaças, se fingindo de morto ou congelando, por exemplo. Ou seja, o medo é uma reação comum a todos os animais, inclusive os seres humanos e faz parte do nosso sistema de funcionamento.

Já a ansiedade é uma angústia que dura muito mais tempo que o medo. Geralmente é desencadeada por algo não específico, embora possa fazer a pessoa ficar nervosa e apreensiva também. No entanto as duas coisas, tanto o medo quanto a ansiedade são respostas a ameaça.  

Muitas pessoas pensam que o medo pode ser um sinal de covardia ou fraqueza. Na verdade o medo é disparado de forma involuntária e, nesses casos, é necessário com que a pessoa identifique do que sente medo, perceba se é real e necessário e, utilize isso para evitar, prevenir ou agir em alguma situação.

Se não existisse o medo, possivelmente não viveríamos por muito tempo. Mas quando esse medo começa a vir de forma muita intensa e recorrente e começa a atrapalhar o cotidiano, pode se tornar uma fobia. A fobia é um medo exagerado e desproporcional a algum evento ou alguém.

Independentemente de ser medos ou fobias, em muitos casos a psicoterapia pode ajudar a entender tudo isso. O processo ajuda a identificar, aceitar e controlar essa emoção da melhor forma.

Falar sobre os nossos medos pode ajudar muito também, até por que quando ignoramos isso podemos despertar depressão e mais ansiedade. Viver mergulhado em pensamentos negativos, achando que nunca vai superar só piora a situação. Pensar em todas as situações que já vivemos com medo e lembrar como saímos vitoriosos também pode ser um caminho.

Quando refletimos sobre do que temos medo e quais podem ser os verdadeiros prejuízos, encaramos de verdade a situação. No momento que nos questionamos, acionamos nossa parte mais consciente, mais racional.

E você, como lida com seus medos?


Débora Bueno – CRP 112716 – é psicóloga com formação em Terapia Cognitiva Comportamental. Atua na área clínica com atendimento presencial e online (infantil e adulto).

@deborabuenopsicologia
(11) 94218-5503 (WhatsApp)

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