Sempre existiu relacionamentos abusivos. Pode ser de pais para filhos, entre amigos, colegas de trabalho e no relacionamento amoroso. Mas hoje, escutamos com frequência esse termo por causa do aumento de casos de violência, seja físico, moral ou psicológica, nas mídias. Claro que a maioria se refere aos casos sofridos por mulheres, porém o contrário também pode acontecer, com menos frequência.
Em qualquer que seja a situação, muitas vezes é difícil reconhecer, aceitar e romper com essa relação. No caso de relacionamentos amorosos, é comum as pessoas se questionarem se estão em uma relação abusiva ou não. E mais comum ainda é as pessoas se calarem diante disso, com medo dos julgamentos e do constrangimento que podem sofrer da sociedade.
Hoje, com a mídia e fácil acesso à internet e informação, muitas pessoas tomaram coragem de denunciar essas relações e se posicionar diante disso, o que motivou mais e mais pessoas a fazerem o mesmo.
Porém, é necessário ficar de olhos bem abertos quando está começando a se relacionar com alguém, pois os primeiros sinais, mesmo que discretos, costumam aparecer logo no comecinho. E se a intuição bater, é hora de pensar se vale a pena ou não continuar com a relação.
Ter em mente que o parceiro é assim e não esperar uma mudança dele, é fundamental para que a pessoa tome a decisão de continuar ou não. O problema é que nem sempre as pessoas conseguem enxergar esses abusos, ou quando percebem, se sentem culpadas por isso.
Dentro de uma relação abusiva, também pode haver ganhos secundários. É absurdo isso, concordo, mas em algumas situações os dois lados podem estar se favorecendo de algo. Mesmo sendo sofrido, o medo de reiniciar a vida sozinha, de criar os filhos longe do pai, de achar que não dá conta, dependência financeira e emocional ou o medo de enfrentar a vida pode ser motivos para permanecer na relação.
É importante aqui não generalizarmos. Existem muitos casos de pessoas que não conseguem terminar a relação e se afastar por que sofrem ameaças constantes, inclusive de morte. Esse é um dos piores abusos, pois paralisa a pessoa, fazendo com que ela se cale diante disso.
Por isso é importante procurar a ajuda de amigos, familiares e de um psicólogo, quando possível, e entender qual é o seu papel nessa relação, os motivos pelos quais está passando por isso, se fortalecer, romper barreiras, se munir de proteção e decidir sair disso tudo com coragem.
Fiquem atentas aos sinais:
- Fala que te ama mas sempre encontra um defeito para apontar
- Vive saindo com os amigos mas quando você sai a casa cai
- Te humilha ou te expõe, não te dando espaço para falar o que pensa
- Abusa da ironia, sempre com uma brincadeira sem graça sobre você
- No meio de uma discussão, vira o jogo, fazendo você se sentir culpada
- Usa de recursos financeiros e materiais para te manter perto
- Ameaça fazer uma besteira caso você rompa com ele
- Te proíbe de ter amigos, ver os familiares, falar ao telefone
- Quando “permite” ter redes sociais, como se tivesse que permitir, quer todas as suas senhas e fica checando o tempo todo
- Quer ter controle absoluto, tomar as decisões, sempre te excluindo das situações
- Quando brigam, te ofende com palavras de baixo calão ou te empurra e agride fisicamente
- Controla a roupa que você está usando ou questiona o porquê da maquiagem ou do perfume
- Manda mensagens o tempo todo e controla quanto tempo fica online no whatsapp, questionando depois com quem estava conversando
- Te acusa de ter amantes ou de estar flertando com alguém, quando na verdade é ele que faz isso
- Finge que está tudo bem, mas sempre está de mal humor e te tratando mal
Débora Bueno – CRP 112716 – é psicóloga com formação em Terapia Cognitiva Comportamental. Atua na área clínica com atendimento presencial e online (infantil e adulto).
@deborabuenopsicologia
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