Hiperconexão e Ansiedade

Estar conectado nos tempos de hoje é a realidade da maioria da população. Os aplicativos estão presentes em todos os lugares. Um estudo recente da União Internacional de Telecomunicações apontou que 3,9 bilhões de pessoas estão conectadas na internet pelo mundo. Isso por um lado é bom, as pessoas têm acesso mais fácil a informações e serviços que antes não tinham. Por outro lado, as pessoas desaprenderam a viver com o vazio, com o ócio, pois hoje utilizam das redes sociais para preencherem o tempo vago o tempo todo, não sobrando espaço para se conectar com elas mesmas.

Muitas pessoas além de usar o tempo vago, deixam de fazer atividades importantes do dia a dia para se manterem conectadas, muitas vezes vivendo um mundo de fantasias, de consumismo, de padrões de beleza que a internet consegue proporcionar.

Nossa mente está programada para vivermos todas as etapas da vida, até mesmo a solidão. Pensem, é importante ficarmos sozinhos por um tempo sim. É nesse tempo que refletimos sobre nossas questões, prioridades, comportamentos que desejamos mudar etc. Porém o ser humano está perdendo essa habilidade depois da internet e não está suportando mais passar por esses momentos. Recorre as redes sociais por que acham insuportável se sentirem sozinhos e ter que lidar consigo mesmo e suas questões. Dessa forma, preenche o buraco que sente, muitas vezes com informações desnecessárias. A exigência chega a ser tão grande que pode gerar estresse e ansiedade.

Vivemos hoje insatisfeitos, pois as comparações nas redes sociais se tornam inevitáveis, dependendo da estrutura emocional da pessoa que a utiliza. Vivemos hoje no automático, acessando sites e redes sociais sem muitas vezes nem perceber o que estamos procurando, apenas ficamos “navegando”. Perdemos inúmeras horas, que poderiam ser mais produtivas, nos abastecendo de notícias, fotos e o passo a passo de pessoas que muitas vezes nem faz diferença em nossas vidas.

Passamos a comer, ir ao banheiro, ir para cama, brincar com os filhos, ir para o trabalho ou para a escola sempre acompanhados. Muitos não percebem a paisagem ao seu redor, pois os olhos não desgrudam da tela. Credo, e como a nossa vida passa a ser chata e desinteressante quando comparamos a viagem de férias do colega de trabalho, o prato do restaurante x que sua amiga jantou, o relacionamento dos sonhos que aquele artista demonstra ter nas redes sociais. Nossa, como a grama do vizinho parece ser mais verde. É, mas não é! Esse vizinho só vai mostrar o lado bom da vida dele nessa vitrine chamada internet. Jamais ele postará o extrato bancário com o saldo negativo para que os outros percebam a realidade dele. E enquanto a rede social mostra o perfeito que não existe, as pessoas adoecem buscando essa tal perfeição. Exigem absurdo do corpo e da mente passando horas conectados, gerando estresse mental e desgaste físico, muitas vezes perdendo horas de sono. Desenvolvem níveis elevados de ansiedade, quando impossibilitados de ter ou ser aquilo que viu nas redes sociais, e até mesmo quando impossibilitados de usar o celular em algum momento ou lugar. Tem pessoas que relatam sudorese, falta de ar, comportamentos motores repetitivos, dores de cabeça ou de estômago e outros sintomas quando impossibilitados de utilizar a internet. Isso se chama síndrome de abstinência.

Comportamentos que repetimos diversas vezes, sem controle, sentindo a necessidade extrema de fazê-lo, que traz prejuízos financeiros, no trabalho ou na vida pessoal, se denomina comportamento compulsivo. É um vício, como utilizar substâncias químicas, comer compulsivamente etc. E a internet, quando usada de forma excessiva, pode sim causar sérios danos à saúde mental, como problemas de ansiedade, estresse e insatisfação crônica.

O mundo online existe, ele está aí, presente em nossas vidas. Quando utilizado de forma inteligente pode ser fantástico. Mas o mundo offline, ao vivo, olho no olho, abraçando e sentindo as pessoas, vivendo de verdade as situações, é melhor infinitamente.

Pessoas se conectam com pessoas!


Débora Bueno – CRP 112716
É psicóloga com formação em Terapia Cognitiva Comportamental. Atua na área clínica com atendimento presencial e online (infantil e adulto).

@deborabuenopsicologia
(11) 94218-5503

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