Algumas pessoas me perguntam como é ser psicóloga… já outras me perguntam como eu aguento ser psicóloga e ficar ouvindo problemas de tanta gente, uma vez que as pessoas querem correr de problemas.
Acredito muito na transformação do ser humano. Quando atuo como psicóloga participo dessas transformações e, consequentemente, me transformo também, pois a psicoterapia é um processo de evolução que proporciona crescimento para ambos envolvidos, paciente e terapeuta.
Depois de alguns anos atuando como psicóloga clínica, tenho certeza de que não sou a mesma pessoa e sinto isso a cada sessão que faço. Algumas características minhas foram mudando ao longo dos anos. Sentimentos como empatia e compaixão brotaram de forma mais consistente em mim. A cada paciente atendido, aprendo a refinar algumas habilidades comportamentais minhas que antes eu não tinha tanto.
A aceitação é uma delas. Avalio que muito antes da minha prática clínica, tinha dificuldade de entender o limite das pessoas, as dificuldades para elas tomarem decisões, o julgamento que eu fazia até de forma inconsciente de atitudes que essas pessoas tinham e que eu jamais teria, na minha concepção. Hoje, após inúmeros atendimentos percebo o quanto estou mais paciente com as pessoas e comigo mesma. A cobrança excessiva que eu fazia sobre mim acalmou, pois da mesma forma que aprendi a ter mais paciência com as pessoas e as limitações delas também aprendi a ter comigo mesma.
Ou seja, ser psicóloga é uma missão difícil, requer muitas habilidades, porém saibam que a maioria dos psicólogos não nascem com essas habilidades. Elas vão sendo adquiridas e desenvolvidas ao longo da carreira, pois é a prática e o contato direto com histórias e situações alheias que nos fazem transformar também nossa forma de pensar.
Preconceitos que todos nós temos, muitas vezes já adquiridos desde criança, na convivência com família e amigos, que muitas vezes passam desapercebidos ao longo da nossa vida, podem ser transformados quando nos permitimos sentar com inúmeras pessoas diferentes ao longo da semana ouvindo cada uma delas, suas histórias, seus medos, suas angústias, suas dores.
Aaaah… as dores. Ouvir as dores dos outros não é nada fácil, afinal de contas, mal conseguimos lidar com as nossas próprias dores, quem dirá com a dos outros. Sim, ser psicóloga é ter que aprender a ouvir e respeitar a dor do outro, independentemente do tamanho dela na visão do profissional. Mesmo por que o que está em questão ali não é a minha opinião e sim, o quanto o paciente está sofrendo com isso.
Enfim, como é ser psicóloga? É crescer e evoluir enquanto trabalha. É se compadecer e praticar a compaixão com o próximo. É praticar a empatia várias horas por dia. É conhecer nossas emoções e aprender a lidar com a raiva, frustração, ódio… porque todos nós sentimos! É ter oportunidade de aprender sobre a vida o tempo todo. Diferente do que muitos pensam, não estamos ali para ensinar alguém e sim, para refletirmos, aprendermos e evoluirmos juntos.
Débora Bueno – CRP 112716 – é psicóloga com formação em Terapia Cognitiva Comportamental. Atua na área clínica com atendimento presencial e online (infantil e adulto).
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