Todo relacionamento é difícil! Quem nunca ouviu isso? Há quem diga que os amorosos são mais complicados ainda.
A psicologia consegue explicar a maioria dos comportamentos que apresentamos.
A falta de autoconfiança, o desespero para encontrar alguém, a insistência numa relação que até parece boa mas acontece na hora errada ou quando avançamos o sinal e deixamos as coisas acontecerem rápido demais podem prejudicar na construção de um relacionamento amoroso mais saudável e duradouro.
E por que algumas pessoas conseguem viver relacionamentos amorosos mais facilmente e outras não? Porque somos fruto da nossa própria biografia. Cada ser é único. Fomos educados de formas diferentes, por pessoas e ambientes diferentes e isso faz com que cada um desenvolva suas relações de formas diferentes também. Não existe o certo e o errado e nem cabe a nós julgarmos a forma como fomos criados pelos nossos cuidadores (pais, avós, tios, pais adotivos etc.), mesmo por que se fizeram dessa forma, talvez fosse a única que sabiam na época.
Mas concordam que a primeira sensação de amor que sentimos é logo quando nascemos? Sim, nós não fomos meros bebês. Somos compostos de inteligência e emoções assim que viemos ao mundo. Há os que digam antes mesmo de vir nele, ou seja, no aconchego do útero materno.
Portanto, o primeiro vínculo que criamos foi com nosso cuidador. Até mesmo porque nos tornamos dependentes dele por um tempo, até aprendermos a andar, falar, comer e nos higienizar. Partindo desse princípio, amaremos nosso cuidador e ele nos protegerá, nos ensinando várias coisas que sabe sobre a vida. Sejam boas ou ruins, essas serão nossas referências e experiências iniciais. Portanto, esse tipo de vínculo vai dizer muito sobre nossas relações hoje, uma vez que trazemos na memória todo esse aprendizado.
Mas agora, convido vocês a uma reflexão: será que tudo que buscamos em um relacionamento amoroso ou tudo que temos medos e anseios, ou tudo aquilo que negamos, são realmente pensamentos só nossos? Se o que somos hoje é formação da nossa história de vida, podemos concluir que todas as nossas experiências, desde muito pequenos, contribuíram com a nossa formação, mesmo não concordando.
Se pensarmos dessa forma, é possível entender de forma mais clara, o porque é tão difícil encontrar e manter um relacionamento amoroso saudável. Temos vários conflitos e questionamentos internos provindos de nossas próprias experiências anteriores. E até como uma forma de lidar com isso, muitas vezes projetamos no parceiro aquilo que nos pertencem. Nossas críticas, cobranças, rejeições, expectativas são depositadas no outro, enquanto na verdade faz parte de nós.
Agora, imaginem que como nós, nossos parceiros também tem as questões deles, a história de vida e experiências deles. Fica claro que um relacionamento terá seus conflitos, suas diferenças até mesmo por que cada um está em busca de algo muito particular, individual, porém não significa que não dará certo.
Uma vez que trabalhamos nosso autoconhecimento, acessamos nossos pensamentos, buscamos entender as nossas emoções, atitudes e comportamentos nos relacionamentos, conseguimos construir relações mais saudáveis.
Vivemos em busca do amor, muitas vezes delegando para o outro a felicidade. Enquanto na verdade, se colocarmos nossa felicidade e bem estar afetivo nas mãos de alguém viramos reféns disso, uma vez que dependerá, de forma única e exclusiva do outro, nos fazer felizes. O amor e a felicidade está em cada um de nós. Se não acreditarmos que somos pessoas boas para um bom relacionamento amoroso, quem acreditará? Se nos valorizarmos, nos amarmos, nos respeitarmos haverá muito mais chances de encontrar uma relação mais saudável.
Débora Bueno – CRP 112716 – é psicóloga com formação em Terapia Cognitiva Comportamental. Atua na área clínica com atendimento presencial e online (infantil e adulto).
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